Business Inteligence

Você já parou para pensar como empresas como Netflix sabem exatamente qual filme recomendar, ou como o mercado ajusta os preços dos produtos em tempo real? A resposta para essas perguntas está em um processo fascinante chamado Business Intelligence (BI), ou Inteligência de Negócio. Para quem está começando, o BI pode parecer um conceito abstrato e complexo, repleto de jargões tecnológicos. No entanto, podemos visualizá-lo de forma muito clara como uma escada, onde cada degrau representa um estágio de evolução: partimos do caos dos dados crus e chegamos ao topo, que é a sabedoria para tomar a melhor decisão.

Para ilustrar essa jornada de forma didática, utilizaremos um diagrama de fluxo simples (semelhante a uma UML). Dessa maneira, detalharemos as etapas fundamentais para que a informação se transforme em ação. Vamos percorrer, passo a passo, esse caminho, entendendo o que acontece em cada fase e onde entram em cena ferramentas poderosas como a Estatística, a Classificação de dados e o Aprendizado de Máquina (Machine Learning).

 

PlantUML Syntax:<br />
@startuml<br />
title Business Inteligence \n<br />
start<br />
:1 – Dados;<br />
note left<br />
*Materia-prima bruta<br />
*Numeros soltos<br />
*Registros de vendas<br />
*Cliques e cadastros<br />
end note<br />
:processamento;<br />
:2 – Informacao;<br />
note left<br />
Elaboracao<br />
*Contexto e organizacao<br />
*Estatistica Descritiva<br />
*Medias, somatorios<br />
*Pergunta-se: O que aconteceu?<br />
end note<br />
:analise;<br />
:3 – Conhecimento;<br />
note left<br />
Aprendizado<br />
*Analise e descoberta<br />
*Machine Learning<br />
*Classificacao de padroes<br />
*Estatistica Inferencial<br />
*Pergunta-se: Por que aconteceu?<br />
end note<br />
:sintese;<br />
:4 – Inteligencia;<br />
note left<br />
Aplicacao<br />
*Sintese e apresentacao<br />
*Dashboards interativos<br />
*Machine Learning Preditivo<br />
*Simulacao de cenarios<br />
*Pergunta-se: O que fazer?<br />
end note<br />
:persitencia;<br />
:5 – Experiencia;<br />
note left<br />
*Acumulo e aprendizado<br />
*Memoria institucional<br />
*Ciclos de realimentacao<br />
*Cultura Data Driven<br />
end note<br />
stop<br />
@enduml<br />

 

1 – A Matéria-Prima – Os Dados

A jornada começa com os dados advindos das operações transacionais das operações da empresa. Em outras palavras, pense nos dados como a matéria-prima bruta, o petróleo antes de refiná-lo. São números soltos, textos, registros de vendas, cliques em um site, datas, cadastros de clientes. Sozinhos, eles não contam uma história e podem até confundir. Por exemplo, saber que “vendemos 150 unidades” é apenas um dado. Ele representa o alicerce de tudo, mas ainda não oferece significado prático para o gestor.

2 – O Refinamento – A Informação

O próximo degrau é a Informação. Aqui, aplicamos o primeiro filtro: o processamento. Nós organizamos os dados, limpamos (removendo duplicatas ou erros) e os contextualizamos. Além disso, a Estatística Descritiva entra em ação nessa fase. Utilizamos médias, medianas, somatórios e porcentagens para dar sentido ao caos inicial.
Agora, aquele dado “150 unidades” ganha um contexto mais rico: “Vendemos 150 unidades do Produto X na região Sul durante o mês de janeiro.” Portanto, já temos uma informação clara e objetiva. Ela responde à pergunta “O que aconteceu?”.

PlantUML Syntax:</p>
<p>@startuml</p>
<p>start</p>
<p>:1 – FONTES DE DADOS;</p>
<p>:ETL;<br />
note left</p>
<p>*Extracao<br />
*Transformacao<br />
*Carga<br />
end note</p>
<p>:2 – DATA_WAREHOUSE;<br />
note left</p>
<p>*Historico pequeno<br />
*Granularidade alta<br />
end note</p>
<p>:Contexto;<br />
note left</p>
<p>*separacao<br />
*gregacao<br />
end note</p>
<p>:3 – DATA_MARTS;<br />
note left</p>
<p>*Historico Intermediario<br />
*Granularidade Intermediaria<br />
*Alta capacidade de relatorios<br />
end note</p>
<p>:Visoes;<br />
note left</p>
<p>*separacao<br />
*gregacao<br />
end note</p>
<p>:4 – CUBOS;<br />
note left</p>
<p>*Historico grande<br />
*Granularidade baixa<br />
*Alta capacidade analitica<br />
end note</p>
<p>stop</p>
<p>@enduml</p>
<p>

 

3 – A Descoberta – O Conhecimento

Com a informação em mãos, subimos para o estágio do Conhecimento. Este constitui o coração da análise. Aqui não basta saber o que aconteceu; precisamos entender por que isso aconteceu. Trata-se da fase da análise e elaboração de hipóteses.

PlantUML Syntax:</p>
<p>@startmindmap</p>
<p>title Evolucao da informacao ao longo do tempo \n</p>
<p>* Business Inteligence \n *Como alinhar a empresa em torno do cliente \n *Como integrar as descobertas a cada interacao do cliente ?</p>
<p>** Mediacao<br />
*** Query e reporting\n*Quantos clientes nos perdemos ?<br />
*** OLAP \n *Em quais cidades eles moram ?<br />
** Predicao<br />
*** Data Mining \n *Quais tipos de clientes possuem risco de deixar a empresa ?<br />
*** Real-Time distribution \n *O que devo oferecer ao meu cliente hoje ?</p>
<p>@endmindmap</p>
<p>

É neste degrau que a estatística se aprofunda, deixando de ser apenas descritiva para se tornar inferencial. Além disso, o Aprendizado de Máquina (Machine Learning) começa a brilhar. Utilizamos técnicas para encontrar padrões, correlações e tendências que o olho humano não conseguiria perceber sozinho.
Aplicamos aqui a Classificação. Por exemplo, o sistema pode classificar um cliente como “propenso a comprar” ou “propenso a cancelar” com base no histórico de informações. Do mesmo modo, usamos Machine Learning para responder: “Que fatores levaram ao aumento das vendas em janeiro?” ou “Qual é a tendência de vendas para o próximo mês?”. Em suma, o conhecimento responde à pergunta “Por que isso aconteceu?”.

PlantUML Syntax:</p>
<p>@startuml</p>
<p>skinparam componentStyle uml2</p>
<p>title Capacidade relacionadas ao ambiente Business Inteligence</p>
<p>package “Dados Externos” {<br />
component [Planilhas] as Externos<br />
}</p>
<p>package “Dados Internos” {<br />
component [Planilhas] as Internos<br />
}</p>
<p>cloud Internet as I{<br />
}</p>
<p>cloud Intranet as R{<br />
}</p>
<p>database “Data Mining” {<br />
[Predicao] as PRED<br />
[Correlacao] as C</p>
<p>}</p>
<p>cloud Descoberta as D{<br />
}</p>
<p>database “Data Warehouse” {<br />
[Historico] as H<br />
[Analitico] as AN</p>
<p>}</p>
<p>Internos -down-> R</p>
<p>Externos -down-> I</p>
<p>R -down->PRED<br />
I -down->PRED<br />
PRED -down->C<br />
C-down->D<br />
D-down->H</p>
<p>H -down-> AN</p>
<p>@enduml</p>
<p>

4 – A Visão Estratégica – A Inteligência

Se o conhecimento representa o entendimento, a Inteligência representa a capacidade de agir com base nesse entendimento. Esta fase envolve a síntese e a apresentação. Ou seja, constitui a materialização do BI propriamente dito. Toda a análise realizada anteriormente se sintetiza em dashboards interativos, relatórios dinâmicos e scorecards.
Aqui, o Aprendizado de Máquina se utiliza de forma mais preditiva e prescritiva. Algoritmos avançados podem simular cenários e sugerir a melhor ação. Por exemplo, a inteligência pode indicar: “Para aumentar as vendas, devemos focar no Produto X e oferecer um desconto de 10% para clientes da região Sul, pois a análise mostra que esse perfil responde bem a esse estímulo.” Assim, a inteligência responde à pergunta “O que fazer?”.

5 – O Acúmulo – A Experiência

Experiência surge quando aplicamos a inteligência repetidamente. Cada ciclo de decisão gera um novo resultado, que realimenta o sistema. Consequentemente, a empresa aprende com os acertos e erros. A persistência e a aplicação contínua da inteligência criam uma memória institucional. Com o tempo, a organização não apenas reage ao mercado, mas antecipa movimentos, pois acumulou know-how. Ela representa o “saber fazer” que se transforma em cultura.

6 – O Objetivo Final – A Tomada de Decisão

Finalmente, chegamos ao topo da escada: a Tomada de Decisão para o Negócio. Este constitui o objetivo final de todo o processo de Business Intelligence. Todo o caminho percorrido, da coleta do dado, à geração de experiência; existe unicamente para dar suporte a uma única ação: decidir. A decisão pode envolver lançar um novo produto, cortar custos, entrar em um novo mercado ou até demitir um funcionário.
Quando a decisão se baseia em um processo sólido de BI, ela deixa de representar um “chute” ou uma intuição vaga e se torna uma decisão orientada por dados (Data Driven). O gestor não aposta; ele age com a convicção de quem possui a informação tratada, o conhecimento analisado e a inteligência aplicada a seu favor.

Conclusão

Portanto, o Business Intelligence representa muito mais do que um software ou um departamento de TI. Ele constitui uma filosofia de gestão que transforma a empresa em um organismo vivo e inteligente. Começando pelos dados brutos e passando pelos filtros da estatística, classificação e aprendizado de máquina, as organizações conseguem não apenas enxergar o passado, mas entender o presente e planejar o futuro com muito mais segurança. Por fim, para o iniciante, a principal lição permanece: dados constituem o recurso, mas a verdadeira inteligência reside na capacidade de interpretá-los e agir com base neles.

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