Prolog como Banco de Dados Dedutivo

Prolog vai muito além de uma linguagem de programação lógica — ele pode ser visto como um banco de dados dedutivo. Enquanto um banco de dados relacional (como SQL) armazena fatos e permite consultas com base em regras rígidas, o Prolog permite derivar novos fatos a partir de regras lógicas, criando um sistema de inferência natural. Nele, os fatos são como registros de uma tabela, e as regras funcionam como views que podem gerar informações novas sob demanda, combinando dados, condições e até recursão.

Aritmética e Comparações Numéricas

Diferente de linguagens convencionais, o Prolog não avalia expressões aritméticas automaticamente. Para calcular, usamos o predicado is/2 (ex: X is 2 + 3). Os operadores +, -, *, /, //, mod, ^ estão disponíveis, e as comparações numéricas (=:=, =\=, >, <, >=, =<) são avaliadas aritmeticamente. Isso permite filtrar dados com condições como Salario > 1000, essenciais para consultas seletivas. A distinção entre = (unificação) e =:= (igualdade aritmética) é fundamental para evitar erros comuns.

Relacionando Tabelas com Variáveis Compartilhadas

O Prolog implementa joins de forma natural, sem sintaxe especial. Para relacionar duas tabelas (como func e dep), basta usar a mesma variável para a chave estrangeira em ambas as chamadas: func(C, Nome, _), dep(C, Dependente). O mecanismo de unificação faz o “match” e combina os registros corretos. Isso é semanticamente idêntico a um JOIN ... ON em SQL, mas com a flexibilidade de poder inverter a ordem ou adicionar condições com facilidade. Consultas como “quem são os dependentes do Ivo?” ou “de quem o Ary é dependente?” tornam-se simples e intuitivas.

Seleção, Projeção e Negação por Falha

As operações relacionais clássicas aparecem de forma direta: a seleção (filtrar linhas) é feita adicionando condições à regra (A =< 1985); a projeção (escolher colunas) consiste em incluir apenas as variáveis desejadas na cabeça da regra e ignorar as demais com _ (variável anônima). Já a negação por falha, com o predicado not ou \+, permite perguntar “o que não existe” — por exemplo, funcionários sem dependentes. Internamente, o Prolog tenta provar a meta; se falha, a negação sucede. É importante lembrar que essa negação não é lógica completa, e exige que as variáveis estejam instanciadas para funcionar corretamente.


Em resumo: O Prolog combina a simplicidade de um banco de dados relacional com o poder da dedução lógica. Ele permite consultas complexas, regras recursivas e inferência, tornando-se uma ferramenta poderosa para sistemas de recomendação, análise de dados e inteligência artificial. Para um iniciante, compreender esses três pilares — aritmética, relacionamento e operações relacionais — é o primeiro passo para dominar o paradigma lógico.

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