Aprendizado de Parametros (MAP, ML)

professor de matemática

O que é aprendizado de parâmetros?

Aprendizado de parâmetros é o processo de estimar os valores numéricos das probabilidades condicionais em uma rede bayesiana. Dada a estrutura do grafo, ele usa os dados para preencher as tabelas CPT (probabilidades condicionais). Existem duas abordagens principais: máxima verossimilhança (ML) e máxima a posteriori (MAP). ML estima os parâmetros que maximizam a verossimilhança dos dados observados. MAP incorpora um prior sobre os parâmetros, regularizando as estimativas. ML é equivalente a contar frequências e normalizar (para variáveis discretas). MAP usa suavização (ex.: Laplace) para evitar probabilidades zero em combinações não vistas. O aprendizado de parâmetros é feito separadamente para cada nó, dado seus pais. Ele é computacionalmente simples e pode ser feito de forma incremental.

Características da estimação por máxima verossimilhança (ML)

O método ML possui três características principais que o definem. Primeiro, ele é consistente: converge para o valor verdadeiro com muitos dados. Segundo, ele é não-viesado assintoticamente para modelos corretamente especificados. Terceiro, ele pode superajustar dados pequenos, atribuindo probabilidade zero a eventos não observados. A estimativa ML para uma variável discreta com pais é a frequência relativa: P(X=x | pais=p) = contagem(x,p) / contagem(p). Ele é o estimador de escolha quando se tem muitos dados e nenhum conhecimento prévio.

Características da estimação por máxima a posteriori (MAP)

O método MAP também possui três características principais. Primeiro, ele incorpora um prior que suaviza as estimativas (ex.: Laplace, Dirichlet). Segundo, ele reduz o overfitting em dados escassos. Terceiro, ele é um compromisso entre os dados e a crença prévia. MAP equivale a adicionar pseudocontagens ao numerador e denominador. Para prior de Laplace (aditivo-1), P(X=x | pais=p) = (contagem(x,p) + 1) / (contagem(p) + k), onde k é o número de valores de X.

Vantagens e aplicações típicas

A principal vantagem do ML é a simplicidade e a objetividade. MAP é preferível quando os dados são escassos ou há conhecimento especialista. Ambos são usados em diagnóstico, classificação e sistemas de recomendação.

O aprendizado de parâmetros é a segunda etapa após a definição da estrutura. Em redes com muitas variáveis, as CPTs podem ser enormes (exponencial nos pais). Para reduzir a complexidade, usa-se modelos de regressão logística ou árvores de decisão. ML pode ser calculado por fechamento analítico para distribuições da família exponencial. MAP com prior Dirichlet é conjugado para distribuições multinomiais (discretas). A força do prior (tamanho da amostra virtual) controla a regularização. Prior fraco (ex.: pseudocontagens pequenas) aproxima o ML. Prior forte força as estimativas a ficarem próximas do prior. Em problemas contínuos, ML e MAP estimam médias e variâncias de distribuições normais. MAP é frequentemente usado em aprendizado de máquina com regularização L2 (equivalente a prior normal). A escolha entre ML e MAP depende do tamanho da amostra e da confiança no prior. Em dados grandes, ML e MAP convergem para o mesmo valor. O aprendizado de parâmetros pode ser feito online (atualização recursiva) com priores conjugados. Assim, o aprendizado de parâmetros é uma etapa fundamental em modelagem probabilística.

Um exemplo clássico é estimar a probabilidade de uma moeda dar cara. ML estima P(cara) = número de caras / total de lançamentos. MAP com prior Beta(α, β) estima (caras + α – 1) / (total + α + β – 2). Com poucos lançamentos, MAP puxa a estimativa para a média do prior.


Enunciado do exemplo clássico

Implemente o aprendizado de parâmetros ML e MAP para uma rede com uma variável binária X e um pai Y (também binário). Dados: 100 observações com contagens: Y=0 (40 vezes), Y=1 (60 vezes). Dentro de Y=0: X=0 (30), X=1 (10). Dentro de Y=1: X=0 (20), X=1 (40). Calcule as CPTs por ML e MAP (usando prior Beta(2,2) para cada condicional). Plote as estimativas e compare com as probabilidades verdadeiras (se conhecidas).

Este código estima parâmetros por ML e MAP para uma CPT simples. ML segue as frequências exatas dos dados, podendo ser instável com amostras pequenas. MAP suaviza as estimativas, puxando-as em direção à probabilidade uniforme (0.5). Quanto maior a força do prior, mais as estimativas se afastam dos dados. Para iniciantes, este exemplo mostra a diferença prática entre ML e MAP. O aprendizado de parâmetros é, portanto, uma escolha entre objetividade e regularização.

Aprendizado de Estrutura (Escore vs Restricao)

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O que é aprendizado de estrutura em redes bayesianas?

Aprendizado de estrutura é o processo de descobrir o grafo (arestas) a partir dos dados. Ele determina quais variáveis influenciam quais, sem conhecimento prévio do especialista. Existem duas abordagens principais: baseada em escores e baseada em restrições. A abordagem por escores busca o grafo que maximiza uma medida de qualidade (ex.: BIC). A abordagem por restrições usa testes de independência condicional para decidir arestas. Ambas têm vantagens e desvantagens em termos de precisão e custo computacional. O aprendizado de estrutura é um problema NP-difícil para grafos gerais. Portanto, heurísticas como busca gulosa ou algoritmos genéticos são usadas.

Características da abordagem por escores

A abordagem por escores possui três características principais que a definem. Primeiro, ela atribui um número (escore) a cada grafo candidato. Segundo, o escore é baseado na verossimilhança penalizada (AIC, BIC) ou fator de Bayes. Terceiro, a busca percorre o espaço de grafos usando operadores de adição/remoção de arestas. O escore BIC = -2*log(L) + k*log(n), onde k é o número de parâmetros. Ela é consistente: com dados suficientes, encontra o grafo verdadeiro (para BIC).

Características da abordagem por restrições

A abordagem por restrições também possui três características principais. Primeiro, ela usa testes estatísticos de independência condicional (ex.: qui-quadrado). Segundo, ela constrói o grafo a partir das relações de dependência detectadas. Terceiro, algoritmos como PC (Peter-Clark) e FCI são exemplos clássicos. Ela é computacionalmente mais rápida que a busca por escores para redes esparsas. Contudo, ela depende da escolha do nível de significância e pode acumular erros.

Comparação e aplicações típicas

A principal diferença é que escores buscam o grafo globalmente, restrições localmente. Escores são mais precisos, mas mais lentos para muitas variáveis. Restrições são escaláveis, mas sensíveis a testes múltiplos. A escolha depende do tamanho dos dados e do conhecimento prévio.

O aprendizado de estrutura é usado em bioinformática (redes de regulação gênica). Também em epidemiologia (causalidade entre fatores de risco) e finanças. A abordagem por escores é mais popular quando o número de variáveis é moderado (ex.: <30). A abordagem por restrições é preferida para redes com centenas de nós. Na prática, combina-se as duas: usa-se restrições para reduzir o espaço de busca. Depois, aplica-se busca por escores no espaço reduzido (abordagem híbrida). O escore BIC é derivado da verossimilhança marginal e penaliza complexidade. O fator de Bayes compara dois grafos diretamente, mas é mais custoso. A abordagem por restrições pode ser sensível à ordem das variáveis (caso PC). Para lidar com isso, usa-se amostragem bootstrap para estabilidade. Aprendizado de estrutura também pode incorporar conhecimento de especialistas (arestas fixas). Isso melhora a precisão quando os dados são escassos. A validação cruzada pode ser usada para escolher entre estruturas concorrentes. Assim, o aprendizado de estrutura é uma área ativa de pesquisa em IA.

Um exemplo clássico é a rede de diagnóstico com variáveis: Idade, Fuma, Tosse, Câncer, e Fadiga. Os dados observacionais permitem descobrir que Fuma → Câncer, e Câncer → Tosse, Fadiga. O aprendizado por escore BIC identifica essa estrutura com alta probabilidade.


Enunciado do exemplo clássico

Implemente o aprendizado de estrutura por escore BIC (busca gulosa) e por restrições (teste qui-quadrado) para um conjunto de dados sintético. Gere 100 amostras de uma rede com 4 variáveis: A → B, A → C, B → D, C → D. Use busca gulosa por escore BIC (operadores de adicionar/remover/reverter arestas). Use o algoritmo PC (com teste qui-quadrado) para a abordagem de restrições. Compare as estruturas encontradas com a estrutura verdadeira. Plote as três estruturas (verdadeira, BIC, PC) lado a lado.

Este código implementa ambas as abordagens para aprendizado de estrutura. A busca por escore BIC encontra uma estrutura próxima da verdadeira. O algoritmo PC (restrições) também identifica corretamente as dependências. As diferenças ocorrem devido ao ruído e ao tamanho da amostra. Para iniciantes, este exemplo mostra as duas filosofias de aprendizado. Escolha entre escore e restrição depende do contexto e dos recursos.